Longness

O reino de Longness é atualmente o menor reino de todo o continente de Morgdan, e talvez seja também o que se encontra em pior estado político e econômico, mas sua fraqueza atual esconde o que já foi o maior poderio militar e também o maior conquistador de toda história do continente. Além disso, o reino da traição já provou ser capaz de se levantar das cinzas quando menos se espera, e é por isso que os outros reinos mantêm olhares atentos e suspeitos para este reino aparentemente pequeno e arruinado.

História

A Lenda do Santuário

É dito que enquanto os conflitos étnicos assolavam Morgdan no fim do primeiro século, havia um pequeno local ao leste do Rio das Almas aonde os perseguidos podiam se refugiar. Este local seria o refúgio de um grupo de celestiais – seres vindos dos mais planos mais altos – que haviam sido trazidos para Morgdan durante a Grande Guerra, e estes cuidavam para nesta região todos estivessem seguros.

A história conta que, mais tarde, enquanto Kolthar redistribuía as raças para evitar uma segunda guerra, estes celestiais, sendo seres de alto poder, contataram o deus da justiça e pediram para que aquele santuário não fosse destruído pelas suas mudanças. Porém o deus da justiça não pôde atender ao pedido, pois abrir uma exceção para os anjos seria uma ato de injustiça – e decidiu que os humanos que lá moravam permaneceriam em seu lugar, e os anjos teriam que partir para outro. Porém bondoso, ele fez o que pôde para não destruir a bela comunidade que se formara, e permitiu aos humanos que lá viviam manter aquela terra como seu lar, que foi então batizada de Longness – que é dito ser a palavra “Santuário” na língua dos celestiais.

Porém muito tempo se passou e, nestes tempos escuros, a lenda – que nunca se provou verdadeira – já foi esquecida pela maioria. Mas as canções mais velhas dizem que Kolthar teria sido ainda mais bondoso com os anjos – e que eles estão, ainda hoje, muito mais perto de Longness do que se imagina.

A Ascensão Longnêsa

Antigamente, o território ao leste do Rio das Almas não era distribuído da mesma forma que conhecemos hoje: existiam mais reinos e, com isso, menos espaço para cada um. O lado oriental (ao leste do rio das Almas) era caracterizado por sua grande fragmentação em pequenos reinos agrícolas de pouco poder político e econômico, e destes, um dos mais prósperos era o pequeno reino de Longness, situado na fronteira com o lado ocidental e largamente banhado pelo Rio das Almas e por dezenas de seus afluentes – o que tornava sua terra muito fértil e seus frutos fartos.

Durante o segundo e o terceiro século, todo o continente foi assolado por duros invernos, que dizimavam periodicamente toda a plantação dos pequenos reinos do leste, enquanto os reinos ocidentais, maiores, conseguiam se manter mais estáveis. Foi nessa época que Longness começou sua ascensão de poder: apesar de ser tão atacado pelo frio e pelas nevascas como todos, a produção agrícola de Longness se alterava muito pouco. Seus vizinhos, precisando de comida e sabendo da fartura do pequeno reino, começaram a estabelecer relações comerciais com ele, através dos inúmeros afluentes do Rio das Almas, que foram sempre marcadas pela bondade dos reis longnêses, que não se incomodavam em dividir o que tinham com os reinos necessitados, sempre se preocupando mais com o bem das outras nações do que com o lucro.

Ao longo dos séculos, o reino prosperou lentamente, e quanto mais ajudava seus vizinhos, mais suas terras pareciam produzir. Quando as tempestades pararam e os invernos se tornaram mais amenos, Longness conseguiu aumentar ainda mais sua produção. Foi nesta época que, tendo seus campos ainda danificados e sabendo que as rotas de comida de Longness eram confiáveis e baratas, muitos dos reinos do leste quase interromperam sua própria produção alimentícia, passando a importar quase todos os bens deste setor de terras longnêsas. Assim, durante quase um século inteiro, o oriente morgdanês se manteve pacato, não estável apenas na medida em que o poder de Longness aumentava lentamente.

O Reinado de Thomas III

No ano de 598 começou um dos maiores pesadelos do continente – Após a morte natural de seu muito-amado pai Thomas II, o jovem adulto Thomas III subiu ao trono.

Grande estrategista militar sedento de poder desde criança, Thomas III sonhava em ver seu reino não apenas na função de sorvedor, mas também na de comando. Sabendo que muitos de seus vizinhos e aliados dependiam de Longness para sobreviver, Thomas III passou a investir no setor militar, usando para isso muito do dinheiro que o reino acumulava há séculos, e contatou e manipulou os três reinos que julgava serem os mais poderosos da região para ajudá-lo em seu plano.

Quando o ataque veio, não só os pequenos reinos do leste, mas todo o continente foi pego de surpresa – a Aliança do Oriente (Longness, junto com Griffion, Fholther e Trenet), havia lançado um enorme exército que, em pouco tempo e sem grandes dificuldades, subjugou os fracos reinos que não só foram pegos despreparados, mas que também nunca esperariam uma ofensiva militar de seu maior aliado econômico, muito menos naquelas proporções. Em menos de uma década após ter subido ao trono, Thomas III havia derrubado todos os reinos do oriente, anexando-os ao seu próprio território e aos de seus aliados, tornando-se assim o maior conquistador da história de Morgdan, obtendo o controle total (direto ou indireto) de todo o oriente. À sua recém finalizada investida militar deu-se o nome de Domínio do Leste.

Quando, em 610, o último reino caiu sobre as mãos de Thomas, o ocidente entendeu que este não seria o fim, e que se houvesse chance, eles seriam os próximos alvos. Figho I, rei do mais poderoso dos reinos do ocidente – Loivty – se aproveitou deste momento de fraqueza da Aliança do Oriente: Enquanto Thomas III e seus aliados se preocupavam com a reconstrução de seu enorme território, Figho I fez um pacto com os anões das Montanhas de Aço, fornecedores do minério para o exército longnês, visando manter a segurança no oeste. À esta ação foi dado o nome de Bloqueio de Aço, e com ela cortavam-se todas as relações comerciais entre as Montanhas de Aço e o oriente. Assim, Figho I conseguiu retardar a reconstrução oriental e também impedir que seu exército (que havia perdido muito de seu poder durante a guerra) voltasse a se formar.

Mas a ganância que levou o rei de Longness à sua vitória seria também a causa de sua derrota. Irado com o Bloqueio e invejoso do poder de Figho I, Thomas III declarou guerra à Loivty. A batalha foi rápida e fácil para o reino do ocidente, e sem encontrar quase nenhuma resistência em seu caminho, o exército entrou no castelo de Hangsdon e trouxe à praça pública a cabeça decepada de Thomas III.

Após a vitória, Loivty não anexou nenhum dos território que agora eram seus por direito – talvez pelo fato que fazê-lo seria provavelmente mais um fardo do que uma vantagem, pois os reinos se encontravam desestruturados em todos os sentidos possíveis. Tomando outro curso de ação, Figho I apenas nomeou escolhidos seus para as principais posições de cada reino da Aliança, de modo que pudesse contar com sua subserviência mais tarde. E para o cargo mais difícil de todos – o trono longnês – escolheu seu irmão caçula, Éden, que desde pequeno trazia o irmão como ídolo.

O Reinado de Éden

Quando Éden assumiu o poder, Longness já não era mais o mesmo: sua terra já não produzia como antes, e assim sua principal fonte de renda estava debilitada. Em cinco anos, o reino de Fholher foi à falência e Éden anexou seu território. Durante mais duas décadas, o reino foi se enfraquecendo e perdendo todos os vestígios de sua antiga glória, mas apesar da decaída, o povo continuava a trabalhar duro, extraindo ao máximo o que podiam de sua terra – e isso ainda era o suficiente para que sobrevivessem.

No ano de 635, Éden organizou uma viagem de volta para seu reino natal, marcando uma reunião diplomática entre os reinos para discutir o futuro de Longness, pois já não era possível sobreviver sem ajuda externa, dada sua economia enfraquecida. Mas apesar das saudades de seu irmão e dos planos que Figho I trazia para tal reunião, Longness mais uma vez pegava o continente de surpresa – na primeira oportunidade que teve, Éden assassinou o irmão e declarou como seu o trono de Loivty.

O verdadeiro motivo pelo qual Éden traiu seu irmão até hoje é tema de discussão, mas alguns historiadores dizem que ele foi corrompido pelos nobres de Longness, e a sabedoria popular diz que foi o fantasma de Thomas III, procurando vingança, que havia possuído o irmão caçula de Éden.

Se vendo na mesma situação que há mais de três décadas os reinos do leste se encontravam, os grandes reinos do oeste logo se mobilizaram para que tivessem alguma chance contra o poderoso exército de Loivty, pois conheciam o que lhes sucederia caso não agissem rapidamente. Temendo por si próprios, Avalon, Stonegate e Stormgard formaram uma aliança contra o duplo rei de Longness. Esta aliança foi batizada de Tríade de Aço, e mais tarde, a ela se juntariam os reinos de Griffion e Trenet.

Na primeira parte dos treze anos que durou a guerra da Grande Traição, Éden e seus experientes generais tiveram boa campanha, tomando boa parte do território adjacente a Loivty e também voltando a retomar parte dos reinos perdidos da região leste. Na segunda metade, porém, a Tríade de Aço utilizou-se de toda a velocidade e astúcia que puderam, reativando o Bloqueio de Aço, mobilizando milícias, revoltas e exércitos em quase todo o território controlado pelo traidor – inclusive dentro de seus próprios reinos. E conforme os regentes indicados de Trenet e Griffion impediam os avanços do exército longnês, os reinos do oeste se aproximavam cada vez mais do castelo de Coruscant. Por fim, temendo o mesmo destino que se sucedeu ao seu precedente no trono de Longness, Éden fugiu da guerra e abandonou seus postos, apagando todas as pistas sobre seu paradeiro, e até hoje se encontra desaparecido. Novamente o território de Longness foi redividido entre seus vizinhos, desta vez pelo recém-criado Conselho de Morgdan, que também escolheu o novo regente do reino.

O Presente

Atualmente, após ter se passado mais de um século desde o fim da segunda guerra de Longness, o reino vive em desgraça: A família de nobres que assumiu o trono, na prática, quase não detém poder – pois não apenas toda a rede política está desorganizada, como também os cofres públicos estão vazios; a terra, que havia perdido grande parte de seu potencial de produção, agora está completamente infértil, e não se vê uma só plantação em território longnês. O pouco território que podia ser aproveitado pela agricultura, rapidamente secou e se tornou árido. As florestas, outrora grande orgulho longnês, secavam e se solidificavam, transformando estes antigos paraísos em desertos de pedras amaldiçoados.

Sem dinheiro, sem organização e sem fonte de renda, enquanto os nobres e diferentes guildas criminosas lutam pelo poder, Longness vive na desgraça de seus feitos passados, e é por isso é conhecido atualmente como o falido Reino da Traição.

Geografia

Análise Física

Longness é o menor reino de Morgdan. A sua área, que antes se espalhava por quase todo o lado oriental, foi reduzida e dividida pelo Conselho de Morgdan após a derrota do reino da traição, sendo distribuída aos seus vizinhos, muitos deles, seus antigos aliados de guerra.

Sendo assim, o reino atual de Longness tem 1147 quilômetros quadrados de extensão, e todas as suas fronteiras são naturais – com o lado ocidental (Loivty e Ávalon), a divisa é o Rio das Almas, e com Trenet, o rio Noosh.

Esses dois rios não são os únicos a banharem Longness. Seus respectivos afluentes são a principal forma de transporte por todo o território, e também a razão pela qual Longness obteve tanto sucesso como exportador agrícola.

Passando a uma análise geológica da região, vemos que esta é uma região relativamente simples sob este aspecto: topograficamente, os acidentes são quase nulos – o terreno é praticamente plano em toda a sua extensão. Porém analisando-o com mais cuidado, descobre-se que na verdade há um declive constante, em direção à costa, mas ele é tão pequeno que apenas as criaturas mais sensíveis conseguem perceber.

Navegação

Desde que os agricultores se estabeleceram nesta região, vem-se trabalhando em uma família específica de barcos, feitos especificamente para se navegar os rios da região. Como esta é plana e seus rios muito rasos, barcos convencionais que tentam navegá-los costumam encalhar. Em compensação, os Velejadores D’Alma (como são conhecidos estes barcos longnêses) são feitos basicamente usando os princípios básicos da jangada (sustentação devido à flutuação plana) e dos veleiros (força eólica para movimentação, ao invés da força fluvial). De longe, eles se assemelham muito aos barcos comuns, mas de perto, percebe-se que seu casco é pequeno, e que eles são baixos, para que se evite encalhar no rio.

Quando uma caravana ou uma grande quantidade de mercadoria são transportadas, um grande número destes barcos é usado – a função dos que se encontram mais à frente é prover a força para puxar os de trás, que são os que carregam as mercadorias em si. Para isso, os de trás removem as velas, evitando que se movam por conta própria e que portanto os navios se trombem, derrubando o carregamento. Os barcos são ligados entre si através de um grande número de grossas cordas, e para dias quando o vento é muito fraco ou forte demais, os barcos estão sempre equipados com remos.

Para carregamentos menores ou transporte de passageiros, apenas um barco é utilizado, mas pelo fato destes barcos não poderem carregar um grande contingente de tripulantes, os passageiros que não tiveram a sorte de pegar um dia com bons ventos se vêem obrigados a remar.

No começo, este método de transporte foi uma tentativa desesperada dos agricultores para poderem comercializar sua produção – afinal o transporte tradicional (força muscular) demorava muito, e os produtos pereciam antes de chegar aos consumidores – mas através do tempo, as técnicas foram se aperfeiçoando (principalmente durante as guerras longnêsas, aonde o transporte de soldados, equipamentos e mantimentos eram feitos assim) e hoje em dia, este transporte é tido como o transporte não-mágico mais rápido e seguro de Morgdan. Para completar, a nova geração de barcos está sofrendo grandes mudanças, baseadas num modelo teórico que um grande inventor stormgardiano, Furland, criou.

Fauna e Flora

O ecossistema como um todo está severamente abalado, devido à rápida transformação de todo o solo da região (levando em conta a escala do tempo natural) que começou durante o reinado de Thomas III e se acelerou no de Éden.

Atualmente, todo e qualquer espécie de vegetação sumiu de Longness, e nem mesmo plantas típicas dos biomas desérticos são encontradas, aparentemente por não terem tempo de migrar. As únicas exceções ao caso são a Floresta Lorelill (ver adiante) e as florestas de pedras negras. Estas “florestas” ainda pouco exploradas são os que restou das antigas florestas exuberantes de Longness – ao invés de perecerem ao clima seco da região, como ocorreu com as gramíneas, as árvores se solidificaram em um metal negro, denso e de propriedades mágicas, que passou então a ocupar algumas extensas regiões do atual deserto longnês. Correm boatos de que as florestas de pedras negras atraíram perigosos seres místicos de grande poder, que teriam feito delas seu lar, mas como estas regiões ainda foram pouco estudadas, essa é uma teoria difícil de se confirmar.

O reino animal também se encontra em estado crítico, porém está se adaptando mais rapidamente às mudanças. O principal problema é a falta da vegetação, o que desestruturou toda a cadeia alimentar, e fez com que a grande maioria dos animais perecesse. Por outro lado, já é comum encontrar espécies típicas do deserto na região, e estas se alimentam dos animais vivos que ainda restam. Outro modo de se adaptar que os animais encontraram foi a agressividade – animais que antes conviviam pacificamente com os humanos agora estão mais agressivos, e os que vivem no deserto (e que mais sofrem com a escassez de comida) atacam à primeira vista. Algo que é digno comentar é que, estranhamente, o tamanho médio dos animais está crescendo, embora o natural seja o contrário (animais menores precisam de menos comida para sobreviver), e correm boatos de que, se afastando dos rios e das áreas urbanas e adentrando o deserto, se encontram animais duas ou três vezes maiores do que o normal. Porém, são boatos, e vale notar que até hoje nenhum destes animais foi visto e documentado cientificamente. Apesar disso, os camponeses continuam dizendo que a mesma maldição que lhes desertificou a terra está se apossando também dos animais.

Análise Urbana

A rede urbana, que antes era difusa (várias cidades sem ter uma área central específica), graças à utilização de toda a extensão de terra para a agricultura, agora está se centralizando cada vez mais em torno de Hangsdon, capital do reino. As vilas periféricas estão em constante declínio populacional, e um grande número delas já se tornaram cidades-fantasma, aonde se encontram apenas as construções, mas não há população. Os antigos habitantes que não morreram de fome foram procurar condições melhores na capital ou em outros reinos.

Nas cidades que ainda sobrevivem, a economia se mantém em torno dos antigos nobres proprietários de terras, que ainda tem algum dinheiro, mas a decadência fica óbvia quando se vê que os únicos estabelecimentos comerciais que se mantêm são os de necessidade básica, e a concorrência é um luxo que apenas as maiores dentre essas vilas têm.

Assim, as comunidades se encontram mal distribuídas pela região: A capital Hangsdon atua como um centro geral, abrigando a maioria dos humanos do reino, enquanto ao redor dela ainda existem algumas poucas vilas menores, que se sustentam através do comércio com o centro. Uma delas conseguiu concentrar a maior população humana fora de Hangsdon, e vive à sua sombra: XXX. Quanto mais afastado da capital, menores são as vilas, e além de uma certa distância, o reino não passa de um grande terreno vazio, com ocasionais traços de cidades fantasmas e fazendas abandonadas ou mesmo florestas de pedras negras.

Ao norte se encontra um grande número de comunidades goblinóides, aonde costumam conviver meio-orcs e hobgoblins. Existem também comunidades exclusivas de cada raça, mas ambos os tipos de organização são tão caóticos quanto sua população, e vilas inteiras são abandonadas e outras formadas mais rápido do que o fraco governo consegue achar e documentá-las.

Devido às estimativas de avistamentos de gnomos, devia haver também um grande número de vilas suas, mas estas não foram encontradas até hoje.

Demografia

Os Humanos

A principal característica e diferença da população de Longness em relação aos outros reinos, é que seu número de habitantes não-humanos ultrapassa o total de humanos. Isso não se dá apenas pelo elevado número de não-humanos que se encontram instalados no reino, mas também devido ao elevado número de baixas humanas das duas guerras das quais Longness participou.

Mas devido à situação precária do terreno longnês, a população humana continua diminuindo, atualmente: Grande parte das famílias camponesas estão desaparecendo, pois suas terras agora totalmente áridas não são o suficiente para sustentar os gastos da família, ou nem para garantir sua alimentação. Os estudiosos do reino preveem que em menos de dois anos, todas as unidades de famílias agrícolas que não tiverem se transportado para os centros urbanos irão desaparecer.

A construção do Império do Oriente

Outro fator que contribuiu para a diminuição do número de humanos em Longness foi o plano de reconstrução do Império do Oriente – que era o Estado planejado por Thomas III no auge de suas vitórias, após ter finalizado o Domínio do Leste. O rei sabia, porém, que para reerguer seu poder, seria necessário reestruturar e reorganizar o território da Aliança do Oriente. Mas após a guerra, as populações dos territórios anexados haviam sido dizimadas, e os recursos estavam escassos, pois ou haviam sido gastos na preparação do exército e ou no decorrer da guerra.

A solução encontrada foi então incentivar a migração dos longnêses, que ainda se sustentavam com a produção agrícola. Estes se encontravam numa péssima condição, pois não apenas sua produção diminuía progressivamente, como também as vendas estavam muito difíceis, afinal seus antigos consumidores ou foram destruídos, ou estavam quase falidos com a guerra.

Incentivados então pelo governo, que organizava caravanas de ida aos novos territórios, estes começaram a deixar suas casas, indo procurar trabalho na reconstrução dos reinos que Thomas III anexara. Como a maioria não tinha nenhuma experiência de trabalho que não agrícola, e como em muitos casos seus novos lares se mostravam em piores condições do que em Longness, foram poucos os casos de sucesso, aonde as famílias longnêsas conseguiram alcançar uma boa condição de vida nos novos lares. Dos poucos que o conseguiram, alguns ganharam tanto poder que até hoje suas linhagens gozam de posições privilegiadas e/ou de nobreza nestas regiões. Mas enfim, a grande maioria das famílias se encontrou apenas mais miserável, trabalhando de maneira servil, e ficaram presas à nova terra, suas já escassas economias esgotadas com a viagem de ida.

Os Goblinóides

Mas a guerra e o pós-guerra não apenas contribuíram para a diminuição da população humana como também para o aumento das populações não-humanas, em especial os goblinóides. Expandiremos mais detalhes sobre os meio-orcs – a sub-raça mais populosa, os hobgoblins e os orcs sangue puro.

Meio-Orcs

Os meio-orcs são atualmente pouco menos de um terço dos habitantes do reino, vieram ao final da Conquista do Oriente para Longness fugindo do preconceito de seus irmãos de sangue-puro na Floresta da Noite Eterna. Longness estava em guerra e precisando de combatentes baratos para ajudar nas lutas aonde o número de soldados humanos era cada vez menor – desnecessário dizer que eles encontraram o lugar perfeito para se instalar.

Mesmo depois das lutas, os meio-orcs se mantiveram na região, pois sua ajuda ainda era necessária como mão-de-obra barata na construção do novo império, e assim eles trabalhavam lado a lado com as famílias camponesas na reconstrução das áreas arruinadas.

Atualmente, a maioria dos meio-orcs vivem em comunidades próprias (muitas delas já de tamanho considerável se comparadas às pequenas e decadentes vilas humanas do reino), que se espalham por todo o território longnês, mas principalmente ao norte, aonde costumam conviver com hobgoblins.

Uma minoria, porém, não aceita se isolar em um reino pelo qual lutaram em suas guerras, e ajudaram e ajudam a reconstruir. Estes vivem pacificamente nas cidades e vilas humanas do reino, lado a lado com aqueles que os discriminam por sua metade orc. Por enquanto eles estão confinados às regiões mais pobres dessas sociedades, mas é uma questão de pouco tempo até eles começarem a se infiltrar nas camadas superiores, fazendo com que os nobres do reino já temam um movimento organizado de meio-orcs reivindicando seus direitos ou o dia em que terão que aceitar um meio-orc em uma posição elevada – ambas situações que iriam somar mais problemas de preconceito e instabilidade política aos que o reino já tem atualmente.

Hobgoblins

Um grande número de hobgoblins veio da Floresta da Noite Eterna fugindo dos maus-tratos dos orcs e buscando melhores condições entre os meio-orcs de Longness, que temem sofreram nas mãos dos orcs de lá.

Como costumam ser, por sua natureza, mais caóticos e maus do que os meio-orcs, os hobgoblins já tiveram problemas na convivência com os humanos, e já aprenderam a morar em lugares mais afastados, livre desses problemas de convivência, dos quais costumam sair perdendo.

Algumas das comunidades hobgoblins são compartilhadas com os meio-orcs, mas existem também comunidades exclusivas desta raça. Ao que parece, parte dos meio-orcs adotaram o estilo de vida dos humanos, e não toleram essas criaturas malignas, que os lembram de seus irmãos de sangue puro e que lhes costumam trazer problemas de reputação, por serem associados como uma raça só. Essas comunidades exclusivas de hobgoblins vivem da troca com as comunidades meio-orcs, aonde oferecem as mercadorias roubadas de caravanas e viajantes em troca de comida e dos bens necessários para sua sobrevivência.

Mas mesmo fugindo para o norte do reino para fugir dos humanos, os hobgoblins dizem ter problemas ocasionais com os gnomos que também ocupariam esta região do reino.

Orcs

Embora a quantidade de meio-orcs seja grande, a quantidade de orcs de sangue puro no reino ainda é muito pequena. Estes também são fugitivos da Floresta da Noite Eterna, e sofrem de um duplo preconceito: A sede de vingança pelos maus tratos que as outras sub-raças goblinóides do reino sofreram na mão de orcs sangue-puro em sua antiga morada e a desconfiança por terem sido expulsos de seu lar. No geral, eles são vistos com cautela pelos goblinóides da região, que não mudam esta atitude até o foragido provar o seu valor.

Gnomos

Não se sabe exatamente por quê, mas o número deste pequenos seres no reino é muito grande (mais do dobro de hobgoblins). Alguns dizem que eles se instalaram ali pois a falta de estrutura atual lhes permite que vivam lá sem serem perturbados e outros dizem que eles estariam estudando algum fenômeno do reino, e que sua vinda para essa região (que parece ter ocorrido após o desaparecimento de Éden), é na verdade uma empreitada científica que estaria de alguma forma conectada com a esterilização do solo e com a súbita queda do reino.

Qualquer que seja a razão, não se sabe a localização de nenhuma comunidade gnoma em terreno longnês, o que não é surpreendente dado que o governo mal consegue manter entrepostos ao norte, em meio aos goblinóides, e que os gnomos são excelentes em se esconder através de suas invenções, ilusões mágicas, ou de seu raciocínio elevado.

Os gnomos do reino só são vistos em grupo quando em luta com hobgoblins, que parecem sofrer ataques constantes destes seus vizinhos.

Outras Raças

Quanto a outras raças não-humanas mais comuns em outros reinos, a maioria destas não encontra em Longness um ambiente agradável para se fixar:

Os anões, que já são relativamente raros fora das Montanhas de Aço, se sentem mal sob a terra árida e plana do reino, tomando-o por amaldiçoado, e evitando-o.

Os elfos sentem uma ligeira paranoia, devido ao grande número de meio-orcs (embora nenhum caso tenha sido documentado de preconceito e/ou violência entre estes dois grupos), e são encontrados apenas dentro das muralhas de Hangsdon, aonde seus mestres diplomatas se vêem afogados na burocracia e jogos políticos com os governantes locais.

Os poucos halflings costumam ser apenas viajantes de passagem pelo reino, e estes preferem suas próprias comunidades, mais alegres do que as cidades obviamente em decadência do reino.

Distribuição de raças

  • Humanos: 45%
  • Goblinóides: 40%
  • Gnomos: 10%
  • Outros: 5%

Distribuição de sub-raças goblinóides

  • Orcs: 5%
  • Meio-orcs: 80%
  • Hobgoblins: 10%
  • Outros: 5%

Política e economia

Política

O pós-guerra

Após a queda de Éden, um novo rei foi nomeado pelo Conselho de Morgdan ao trono de Longness. Rhadis IV de Stormgard era o líder de um importante acordo de comerciantes em seu antigo reino, que foi deixado sob responsabilidade de seu filho, Rhadis V, após sua saída. Ele foi escolhido não só por ser dotado de grande inteligência e conhecimento, mas por ser um comerciante muito experiente – e que assim poderia reviver a economia do reino da traição – e por ter interesses no lado ocidental de Morgdan, o que preveniria que viesse a traí-lo.

Porém, este rei encontrou a região em uma situação muito diferente da que estava acostumado em sua terra natal, o reino com maior produção e comércio do continente: Os cofres públicos e a estrutura política de Longness não poderiam estar em piores condições após os anos de guerra, e a economia parece até hoje insustentável, dado que não há como produzir nada nas terras inférteis do reino. Porém, aceitou o desafio como investidor, sabendo que as tarefas mais árduas são as que trazem maior retorno.

Logo após seu estabelecimento no reino, porém, houve uma tentativa frustada de assassinar o recém-estabelecido monarca. As investigações foram longas, e o nome de Éden surgiu em vários momentos – mas muitos crêem que isso foi apenas resultado da paranóia geral do reino quanto ao seu antigo monarca desaparecido. As investigações, enfim, levaram indubitalvelmente a alguns nobres integrantes do Conselho das 9 Estrelas Negras, que foram julgados e decapitados. Um outro homem porém, conseguiu fugir de seu julgamento – Adalard Carneggie, mais conhecido como “O Bobo” – um habilidoso bardo humano servo destes nobres decapitados. Antes de poder ser julgado com seus antigos mestres, ele conseguiu se refugiar em Trenet, aonde foi abrigado por Holthor, que lhe ofereceu a liderança de um grupo militar de elite. Os boatos vindos de Trenet dizem que ele planeja vingança – mas não se sabe se contra o governo, que o obrigou a fugir, ou se contra a própria nobreza, que poderia ter vindo a culpá-lo para esconder o(s) verdadeiro(s) culpado(s).

O presente

O atentado à Rhadis IV foi importante no que se refere ao quadro político atual do reino, pois ele representa em si o conflito existente em Longness: de um lado a antiga nobreza pré-guerra e as diversas guildas existentes tentam dominar o poder político (agora de maneira indireta, já a tentativa de assassinato ao novo regente fez com que muitas cabeças rolassem). Do outro lado, o governo – liderado por Rhadis IV – tenta acabar com a influência de seus oponentes e retomar o poder de seu território.

Essa teria sido uma luta injusta para Rhadis, que parecia ter vida curta como rei, se um novo elemento não houvesse se introduzido ao cenário: alguns nobres (que costumam se manter anônimos) têm se aliado ao rei, contratando aventureiros para lutar contra as guildas e nobres corruptos, financiando o governo (cujos cofres estão em má situação, vide economia, abaixo) e também delatando planos da oposição – o que leva a crêr que alguns deles estejam infiltrados em posições de prestígio entre os nobres corruptos, se não também entre as guildas. Rhadis não gosta de ter de confiar em seus ajudantes anônimos, pois teme que ele esteja sendo usado como um peão nas batalhas internas de seus inimigos, porém essa ajuda é o único motivo pelo qual ele continua no poder até hoje – de outro modo, decerto já teria sido vencido pelos seus rivais.

A grosso modo, a disputa está em um entrave momentâneo, embora Rhadis IV pareça estar em pior situação à longo prazo. Enquanto ele consegue de pouco a pouco se estabelecer no território e regular lentamente o que restou da economia local, os nobres corruptos atrasam seus movimentos políticos e as guildas sabotam seus impostos, destróem seus postos militares e políticos, e incitam a população a se juntar a seu lado, responsabilizando o governo pela má qualidade de vida no reino.

Aventuras

Veja também

Por fazer

Uma lista não-exclusiva de idéias para serem desenvolvidas:

  • Veja: Rascunhos de Longness
  • Relatório das águas do reino, incluindo descrição do comércio nos portos ao sul e no Rio das Almas (à pedido de Kazbran, ex-Guardião de Loivty)
  • Uma aventura ou conto localizado na região de Lorelill, que expanda a descrição desta e revele alguns de seus segredos.
  • Criar/Expandir descrições de:
    • Hangsdon
      • Único templo de Leonar da cidade (e os agentes lá infiltrados do culto à Nossredam)
    • uma vila de meio-orcs ao norte em constante atrito com gnomos
    • “uma vila maior que subsiste na sombra da capital”
    • mais áreas do deserto longnês.
    • Florestas de pedras negras (genérica ou de uma floresta específica)
    • Culto e forte líder meio-orc foragido e seu bando nômade que vaga o deserto longnês reinvindicando direitos políticos meio-orcs
  • Pequeno esboço das relações com Loivty
  • Um conto sobre a viagem de Mirmidon para Korudrim, longe de Longness, acompanhado de seu grupo de mercenários (vide Laguna)
  • Laguna
    • Aventura do tipo dungeon-crawl que fosse baseada, expandisse e detalhasse a hitória de Calreth II.
    • Mapa
  • Descrição de ou aventura situada em uma cidades-fantasma perto de uma antiga fazenda abandonada (que pode ter se transformado em uma pequena floresta de pedra negra)
  • Descrição de ou aventura situada em uma vila apenas de hobgoblins
  • Lista de por fazeres da aventura Ataque ao covil dos assassinos
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