Lumpara, Loivty
10º dia da Primavera de 760
Saudações Cordiais
Espero que goze de boa saúde amigo Kyrahd. Bem como desejo o mesmo para teus familiares e que Leonar não deixe de provê-los. Depois de dois dias o navio finalmente alcançou o seu destino, e acredito que lhe envio boas notícias.
Os negócios seguem bem para nós caro sócio. Na noite de ontem cheguei ao porto de Lumpara, cidade portuária magnífica. O capitão do navio me informou que este é o principal ponto de entrada comercial no sul de Loivty. Já antevejo grandes oportunidades de negócios neste reino.
Lumpara é constantemente ameaçada pelos ogros que se escondem nas imediações há séculos, me disse o capitão. Ao que parece de tempos em tempos, encorajados pelos seus primos gigantes do Arquipélago de Donnwulf, estas criaturas tentam pilhar a cidade.
Milicianos e aventureiros sempre rechaçam os inimigos. Pelo que soube, estes profissionais costumam ser muito bem remunerados aqui no sul. E com dinheiro no bolso devem investir bastante em armas de qualidade, como as suas, amigo ferreiro. Como lhe disse antes de deixar Greenreef naquele navio, juntos iremos lucrar bastante estabelecendo negócios em Loivty.
Esta manhã negociei boa parte de nosso carregamento com uma grande loja de armas. O trabalho delicado que você realiza é muito mais apreciado pelos loivtyanos que pelo rude povo de Stormgard, como suspeitei. Os cidadãos daqui parecem muito afeitos à arte. Peças finamente decoradas caem mais ao gosto da população local. Deve ser influência dos elfos. Há muitos por aqui, nunca vi tantos.
Um deles, Arnlyn, é o responsável pelos armazéns das docas de Lumpara. Um típico elfo eu diria. Pouco mais baixo que eu, longos cabelos e olhos negros. Dizem que existem outros elfos ao norte, que chamam de Elfos da Alvorada. Estes possuem cabelos e olhos claros e são mais altos que os Elfos do Poente, como Arnlyn chama seu povo. O fiscal dos armazéns dá de ombros quando fala de seus irmãos do norte. Fala que eles desprezam o resto de seu povo e por isso ele não se importa com eles.
Arnlyn recomendou-me a pousada na qual passei a noite. A Balada do Poente, administrada por um primo seu. Estes nomes poéticos são muito comuns por aqui como pude notar. A loja de armas na qual negociei se chama Zunido do Aço, a taverna nas docas, Recanto do Bardo. Nunca vi um povo amar tanto assim a música. Pelas ruas diversos bardos se apresentam para o povo. Um grupo deles tocava uma bela composição de cítaras na recepção da pousada. Formados pelo conservatório local, me disse o dono. O primo de Arnlyn falou que toda cidade em Loivty possui a sua academia de bardos.
A música local é ao mesmo tempo bela e exótica, assim como seu povo. Andando pelas ruas de Lumpara pude notar os traços peculiares de seu povo. Os olhos são amendoados como dos elfos, e a pele morena, queimada pelo sol da cidade portuária. As mulheres são belas, de cabelos longos e negros. Várias dançarinas bailam ao som dos bardos locais em uma dança sinuosa que eles chamam de Azaytham. Enquanto cítaras, flautas e pequenos teclados tocados com varetas, os instrumentos nacionais, tocam sua música entorpecente, as bailarinas fazem movimentos sensuais, como de uma serpente.
As vestes de seda são comuns. Seda delicada, que faz jus a sua fama em toda Morgdan. Acredito firmemente que teremos sucesso em nosso plano. Exportando a seda de Loivty para Stormgard faremos frente ao monopólio da seda de Tatsu. Poderemos levá-la já manufaturada. As vestimentas locais são geralmente monocromáticas. Vermelhas quando tingidas com a casca de uma árvore local, rosa por meio das flores desta mesma árvore, de um azul escuro e profundo quando se usa o sumo dos frutos e amarelas, pela ação de um corante mineral. Porém são bordadas com detalhes de múltiplas cores, resultando em tecidos de beleza singular.
Homens usam calças largas,e togas ou túnicas sobre o torso. Na cabeça trazem elaborados turbantes. Pelo que percebi, quanto mais prestígio possui o cidadão, mais elaborado é o turbante. Mulheres usam várias sobreposições de saias e véus, a delicadeza da seda, no entanto deixa prever a beleza de seus corpos bem talhados. Cidadãos menos abastados usam vestes de um algodão de cor ocre bastante rústico. Brincos são comuns em homens e mulheres, geralmente usam grandes argolas. As tiaras e anéis também são populares.
O costume de usar turbantes revelam o típico cidadão loivtyano, apesar de poucos elfos serem afeitos ao costume, me disse Arnlyn. Rapidamente fui identificado como um estrangeiro por não usa-lo. Minha pele clara e a barba espessa também me denunciaram. Estas características podem ser mais facilmente encontradas nas cidades do oeste do reino, me disseram.
Amanhã partirei em uma caravana de comerciantes. Eles pegarão uma estrada ao norte que segue direto para Canto de Corus, capital do reino. Arnlyn me disse que este é o centro de poder da magocracia que governa Loivty. Fiquei impressionado com a quantidade de lojas de componentes estranhos em Lumpara. Componentes que servem para magias, dizem eles. Porém Arnlym me advertiu que nada irá me preparar para o que vou encontrar em Canto de Corus. Estou ansioso para descobrir a razão da alcunha de Reino da Magia, carregada por esta terra.
Seguirei com nosso plano amigo Kyrahd. Atravessarei Loivty, obtendo lucros com a venda de suas peças. Quando chegar ao norte seguirei para Stonegate, onde poderei adquirir aço de qualidade, e então retornarei com o aço de Stonegate para suas peças e a seda de Loivty para negociarmos em Stormgard. Ao mesmo tempo procurarei um local aprazível para nos estabelecermos. Levarei comigo na viagem até a capital um pequeno grupo de aventureiros, o preço é salgado, mas Arnlyn me advertiu que será bem gasto caso encontre um dos vários ogros que habitam o sul de Loivty.
Paguei os comerciantes que lhe entregam esta carta com um pequeno punhal de nosso carregamento. Eles gostariam de entalhar o trecho de um cântico na lâmina. Acredito que você possa faze-lo facilmente. Um mago que os acompanha disse que desta forma poderá imbuir a peça de poderes mágicos. Que estranhos costumes têm esses loivtianos.
Que Leonar o proteja
Bahr Calas
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