Política e Fronteiras

A divisão política e regional de Morgdan sofreu diversas alterações desde o final da Grande Guerra até os dias atuais. Muitos conflitos políticos e étnicos marcaram a história do continente, para só então chegar à divisão atual. Durante a Grande Guerra, os deuses povoaram o território morgdanês sem muita estrutura e consistência, pois, em tempos conturbados, era impossível manter a ordem numa cidade por muito tempo, antes que fosse alvo de sítios e invasões.

Porém, a partir do fim da Grande Guerra, que ficou marcado como o ano zero do calendário morgdanês, novas vilas e cidades começaram a ser criadas. E como não houvera vencedor, os territórios eram ocupados por quem chegava primeiro – o que fatalmente gerou muitos conflitos.

O primeiro deles foi o conflito étnico: já que diversas raças diferentes brigaram do mesmo lado na Guerra, terminaram habitando territórios muito próximos: cidades orcs e élficas e escavações anãs e goblins, por exemplo, dividiam fronteiras em pequenas extensões de terra. Foi assim que pequenos conflitos e batalhas voltaram a ocorrer por todo o continente, menos de trezentos anos após o fim da Grande Guerra, no ano 296.

Esses conflitos quase desencadearam uma segunda Guerra. Porém, dessa vez Morgdan tinha um deus astuto e justo para resolver o problema. Kolthar, deus da justiça, novamente atuou, resolvendo o problema territorial de maneira a agradar a todos: Como eram maioria, os humanos ficaram com a maior parte do continente, onde tiveram liberdade para fundar diversos reinos. Os elfos ganharam a maior floresta, a Floresta da Alvorada, como território, e a Floresta da Noite Eterna foi dividida entre elfos negros e orcs. As Montanhas de Aço foram divididas entre anões e goblins. Outras criaturas, como dragões, foram assumindo as regiões que mais se adequavam à sua espécie, sem atrapalhar as demais. E assim, em menos de noventa anos, no ano 382 pós Grande Guerra, Kolthar conseguiu dirimir os conflitos étnicos em Morgdan.

A Aliança do Oriente

Porém, tudo o que é bom dura pouco. Embora não continuassem numerosos os confrontos entre as diferentes raças, diversos conflitos políticos tomaram o continente. Dezenas de reinos humanos se amontoavam uns sobre os outros, e guerras de fronteiras eram comuns nessa época. Apesar disso, Kolthar não teve motivo para agir, já que os conflitos eram pequenos e não alterariam a neutralidade do panteão.

Por trás das guerras de fronteiras, existia a guerra por poder. A grande variedade de reinos sempre gera uma competição maior. E uma vontade maior de ver o reino inimigo cair em ruínas. Longness, sob o comando de Thomas III, foi o Estado que mais se desenvolveu nesse período. Longness era um reino muito pequeno no centro-leste do continente, sem qualquer riqueza e sem acesso ao mar. Porém, quando Thomas II morreu e seu filho assumiu o trono, no ano 598 pós Grande Guerra, o destino do reino começou a se modificar. Thomas III era um jovem audacioso e esperto, porém cruel. Queria ver seu governo como o maior de todos e não media esforços para tal. Forjou alianças com diversas outras nações e, usando muita politicagem ou mesmo métodos mais perversos, conseguiu com que seus aliados lutassem por sua causa.

Longness, Griffion, Trenet e Fholther formavam a base da aliança que seria chamada de Aliança do Oriente, e foram conquistando territórios e destruindo reinos um a um até que, no ano 610, dominaram todas as terras a leste do Rio das Almas. Nessa mesma época, outros reinos cresciam, e alguns chegavam ao fim ou se anexavam aos mais fortes. Assim, apenas os reinos de Loivty, Avalon, Tatsu, Stonegate e Stormgard se mantinham fortes e cada vez maiores a oeste do Rio das Almas. Porém não formavam nenhuma aliança.

Tatsu, o pequeno reino de cultura oriental, se mantinha neutro a tudo o que ocorria no restante do continente, e é o único reino que mantém suas fronteiras originais – como sempre, delimitadas pelas Montanhas de Gelo.

O Bloqueio de Aço

Loivty era, na época, o reino mais desenvolvido. Seu território ocupava quase todo o noroeste morgdanês e seu regente, Figho I, tinha uma forte aliança com os anões de Stonegate, o reino subterrâneo das Montanhas de Aço – principal fornecedor de minérios do continente. Assim, todo o minério produzido nas Montanhas passava por Loivty, que tinha uma grande vantagem na venda de aço para o restante do continente.

Figho I, vendo o crescimento da Aliança do Oriente e temendo que aquela se voltasse contra os reinos do oeste, solicitou a Kwashiokor, rei de Stonegate, que parasse de vender aço para os reinos da aliança. O rei anão não negou o pedido de seu aliado, cessando imediatamente o comércio, episódio que ficou conhecido como o Bloqueio de Aço. Entretanto, o embargo enraivesceu Thomas III, que, numa atitude impensada – como diriam alguns –, declarou guerra a Loivty, com a ajuda de seus aliados (ou capangas, como alguns historiadores chamam).

Era outra grande guerra sobre as terras de Morgdan, todos diziam. Mas não foi exatamente assim: Loivty, com seu forte e numeroso exército, e com o auxílio do exército anão de Stonegate, destruiu os reinos da aliança um a um, atacando por último o seu líder. Em cerca de dois anos de guerra, no ano 614, a cabeça de Thomas III estava pendurada na praça principal de Hangsdon, capital de Longness.

Figho I poupou parte da autonomia dos reinos vencidos, ignorando as práticas comuns a que se submetem os territórios subjugados – e tomou uma única medida preventiva, ao impor a cada nação que formara a finada Aliança do Oriente, como governantes, pessoas de sua confiança.

A Grande Traição

No ano 619, o reino de Fholther entrou em uma terrível crise. Não vendo outra saída, seu rei aceitou tornar-se um ducado de Longness. Os reis do ocidente ignoraram o fato, já que, à época, o rei de Longness era o irmão caçula de Figho I, Éden.

Contudo, de onde menos se esperava, sobreveio o golpe. Já corrompido pelos nobres de Longness, durante uma visita a seu irmão mais velho, no ano 635 após a Grande Guerra, Éden assassinou Figho I e assumiu o trono de Loivty, finalmente conseguindo a anexação ao território de Longness, tanto desejada pelos nobres longneses.

Foi nesse momento que os outros reinos do oeste formaram a Tríade de Aço, unindo Stonegate, Avalon e Stormgard, para acabar de uma vez por todas com as sandices do povo e do rei longnês.

A Derrota de Longness

A tarefa parecia difícil: eram Estados sem tradição guerreira lutando contra reinos já experientes, de exércitos numerosos. Apesar disso, a tríade conseguiu importantes aliados nessa briga: os outros dois reinos do oeste, Trenet e Griffion, ainda governados pelos regentes nomeados por Figho I, afiliaram-se à Tríade de Aço, reforçando significativamente a base da aliança. Além disso, os anões de Stonegate prosseguiram seu embargo de aço a Loivty e Longness.

Sem nenhum apoio e sofrendo uma forte pressão da nobreza e do povo de Loivty, Éden abandonou, no ano 648, o governo e sumiu do mapa. O imenso território loivtyano foi divido entre os três principais membros da Tríade, deixando apenas uma pequena parte para o próximo regente de Loivty, o jovem Figho II, que contava ainda dezoito anos. O reino anão de Stonegate ficou com o território ao redor das Montanhas de Aço, inclusive estas. Stormgard incorporou Greenreef, até então capital de Loivty, a maior cidade do continente. Avalon garantiu grande parte das Florestas da Alvorada e da Noite Eterna. Os reinos do leste reintegraram boa parte dos territórios conquistados por Longness e sua aliança, reduzindo o maior reino do leste a seu real tamanho de outrora, antes da posse de Thomas III, nomeando novamente um regente leal aos integrantes da Tríade e erradicando seus nobres.

Foi criado, ainda, o Conselho de Morgdan, composto por um representante de cada reino morgdanês (Avalon, Stonegate, Stormgard, Loivty, Tatsu, Trenet, Griffion e Longness) com direito a voto – sendo os votos dos membros da antiga Tríade de Aço de peso maior que os outros. O conselho vem passando dificuldades desde sua criação; alguns o acham antidemocrático e alguns acreditam que é desnecessário, mas funciona bem e decide os rumos de Morgdan até hoje.

O problema mais discutido no conselho, nos últimos anos, é a busca por Éden, o antigo monarca de Longness. Muitos acreditam que já está morto, outros dizem que ele conspira escondido contra o conselho – mas ninguém consegue encontrá-lo para comprovar.

Mapa Atual de Morgdan

Veja o mapa atual de Morgdan.

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