O Rei de Arkanum – Primeira Parte

Publicamos, hoje, a primeira parte do conto O Rei de Arkanum, sobre a maior ameaça que Morgdan enfrentou nos últimos anos. É escrito por Leo Jardim, autor do Rei Caído e Guerra dos Deuses e terá apenas mais duas partes além dessa. Espero que gostem! Se gostarem, não esqueçam de curtir, compartilhar, retuitar, mandar pro colega e coisas do tipo! 😉

Contos e Crônicas

O Rei de Arkanum

Primeira Parte

A escuridão era quase palpável de tão densa. A noite não tinha estrelas, nem a lua se fazia visível para gerar alguma luz. Não podiam acender a tocha para não serem vistos. O anão seguia na frente, o único que conseguia enxergar naquele breu. Sua raça vive nos subterrâneos, dentro das montanhas e por isso se adaptaram àquela situação de nenhuma visibilidade. Atrás dele, os demais seguiam em fila. No fim, o elfo, que possuía uma visão melhor que os demais, mas ainda não conseguia ver nada naquela situação extrema.

— Deve ser mágica — o elfo sussurrou. — Não é, Windham? — perguntou ao mago do grupo.

— Sim, acho que sim.

— Você acha? — O anão perguntou, irritado.

— Não posso detectar, mas não consigo dissipar — o mago respondeu, sem paciência. — Não é natural.

— Silêncio! — o clérigo interrompeu. — A presença maligna está cada vez mais perto.

Caminharam na escuridão total por mais alguns minutos até que começaram a ouvir a voz. Uma voz grave e constante recitava algum tipo de ritual em algum idioma desconhecido. Uma série de palavras sem sentido sendo jogadas com bastante ênfase ao vento.

— Onde ele está, Will? — o samurai, que estava calado até aqui, perguntou.

— Naquela direção — o anão respondeu. — A menina está deitada num altar e ele tem uma adaga na mão.

O mago disse uma palavra mágica e uma esfera flamejante surgiu em sua mão direita iluminando um pouco o ambiente. Estavam em uma grande clareira descampada, cercados por pequenos montes. O mago fez um movimento e a bola de fogo voou de sua mão e foi de encontro ao ritualista, que usava uma túnica negra e segurava a adaga na mão direita. O projétil mágico o atingiu em cheio e ele foi arremessado alguns metros para trás. Ao mesmo tempo, a escuridão mágica se dissipou, deixando-os na penumbra da noite.

— Acham que vão me impedir? — ele falou enquanto levantava. Ergueu a adaga e fez um corte na mão esquerda. O sangue pingou no chão, onde havia alguns estranhos desenhos ritualísticos. A terra consumiu o sangue e uma fumaça bem escura começou a sair do desenho. — Chegaram tarde dem… — Antes que pudesse terminar a frase, uma flecha cravou na sua testa. Todos olharam surpresos para o elfo, que ainda mantinha o arco em posição e buscava, num impulso mecânico, uma nova flecha em sua aljava.

— Muito bem, Marc, conseguimos! — o samurai comemorou, enquanto embainhava sua katana.

— Foi muito fácil. — O anão caminhava em direção à garota com o seu impressionante martelo de combate apoiado no ombro.

— Não acabou. A presença maligna continua — o clérigo disse, segurando o anão. — E está cada vez maior… — Apontou para o local onde saía a fumaça.

Os traços do desenho começaram a brilhar e começou a exalar cada vez mais fumaça. Os cinco membros do grupo se entreolharam, sacaram novamente suas armas e caminharam lentamente em direção à fumaça. O anão foi na frente com o martelo. Pouco depois, o samurai com sua katana e o elfo com seu arco. Por fim, o mago com um cajado e o clérigo, que segurava na mão direita o símbolo dos sóis de Leonar, o deus da luz.

Quando chegaram ao altar, perceberam que a menina, de cerca de dezesseis anos, estava inconsciente, mas viva. O grupo circulou e se posicionou entre o altar e a coluna de fumaça. A fumaça começou a diminuir e uma figura humanóide de dois metros de altura pôde ser vista no seu interior. A silhueta ergueu as mãos e a fumaça foi arremessada na direção do grupo. Seus olhos arderam e ficaram com visão embaçada. Enquanto isso, ouviram um grito de agonia.

Quando voltaram a enxergar, viram a criatura segurando o mago pelo pescoço. Ela tinha a pele verde escamosa, chifres retorcidos na cabeça, como os de carneiros, um rabo como o de crocodilos, suas mãos e pés possuíam garras de águias e sua cabeça tinha três olhos vermelhos, um deles no meio da testa.

— WINDHAN! — o clérigo gritou.

Os demais membros do grupo atacaram o demônio ao mesmo tempo. O elfo disparou uma flecha à queima-roupa, o anão aplicou um potente golpe de martelo e o samurai atacou o pescoço com sua katana. O demônio segurou a flecha com a mão livre e ignorou os demais golpes. O famoso fio tatsunês da espada do samurai não foi capaz de atravessar a carapaça escamosa do pescoço do monstro e o golpe de martelo, mesmo sendo muito forte, não pareceu incomodá-lo. O clérigo ergueu seu símbolo sagrado e uma forte luz branca começou a brilhar em direção ao inimigo.

— Eu sou Shareff, o Rei Supremo de Arkanum! — o demônio disse com uma voz cavernosa. — Você acha que essa sua luz fraca pode me afetar? Curvem-se à minha presença e pouparei suas vidas!

O monstro olhou nos olhos do mago que segurava pelo pescoço. Windham era idoso, tinha cerca de sessenta anos, a pele enrugada e uma longa barba branca. Seus olhos estavam fitando fixamente a criatura. O anão tentou mais um golpe com seu martelo, dessa vez no chão. A ancestral magia presente na arma, forjada nas entranhas das Montanhas de Aço, fez seu efeito e a terra tremeu. O clérigo e o elfo caíram no chão. O samurai cambaleou, mas manteve-se em pé. O demônio também não teve muitas dificuldades. Encarou novamente o mago e sorriu, com sua larga bocarra repleta de dentes pontiagudos. O mago cuspiu no rosto da criatura, que gargalhou. Uma leve fumaça branca, como uma respiração do inverno, começou a sair pela boca e olhos do mago e foi sugada pelo Rei de Arkanum.

— NÃÃÃÃÃÃOOOO!!! — os membros do grupo gritaram.

Marc, o elfo, tentou mais uma, duas, três flechas, todas desviadas pelo demônio com a mão livre.

— Vamos sair daqui — o samurai disse. — Não podemos vencê-lo agora. — Ele cortou as cordas que prendiam a menina no altar e colocou-a no ombro. — Acho que só existe uma arma capaz de derrotá-lo.

O clérigo e o elfo recuaram junto com o samurai, mas não Will do Martelo. Ele correu com sua poderosa arma em punho em direção ao demônio, que soltou o corpo sem vida do mago no chão, seco como uma folha de inverno, e evocou uma esfera flamejante na direção do anão. A magia de fogo explodiu no corpo de Will, que foi arremessado inconsciente. Marc e o clérigo ergueram o corpo do anão, pegaram sua arma e o carregaram para longe dali. O demônio não os seguiu.

— Fujam, medrosos! — gritou. — Fujam enquanto podem. Avisem a todos que o Rei de Arkanum chegou! Em breve todos estarão aos meus pés!

– Por Leo Jardim

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