O Guardião da Torre de Albon – Episódio Um

Apresentamos o mais novo autor da Ordem: Marcus Carrião, com o pseudônimo “Carrião, o Guardião da Torre de Albon”. Já publicamos no blog alguns de seus textos na série “Mensagens Memoráveis da Lista de Discussão“, que valem muito à pena ler. Hoje publicamos o primeiro episódio do conto sobre seu personagem. Acredito que vão gostar!

Contos e Crônicas

O Guardião da Torre de Albon

Episódio Um

O Sábio-Guerreiro (parte 01)

Sobre o solo de Morgdan, existem vários exércitos de mercenários, caçadores de tesouros e de cabeças. São formados por seres cruéis e ambiciosos, principalmente homens degenerados, orcs, goblins e elfos negros. Esses exércitos pairam como sombras, devastando cidadelas, espalhando o terror e o medo, acumulando tesouros e mortes. Um desses exércitos era liderado por Bauhad, o Trovão, um asqueroso e perverso orc que pilhou muitas aldeias e ceifou centenas de vidas.

Numa noite, uma parte do exército de Bauhad retornava de uma longa e frustrante jornada pelo oriente, indo em direção à Floresta da Alvorada. A lua brilhava como os sóis naquela noite e uma fina bruma se dispersava no ar frio noturno de Ávalon. Bauhad montava uma criatura medonha, como um grande felino desfigurado, vestindo sua armadura coberta por sujeira e sangue. De repente sua voz, rouca e alta como um trovão, rompeu o ritualístico silêncio dos guerreiros que marchavam com ele.

– Parem – gritou.

Os vinte soldados levantaram seus olhares, buscando o motivo da ordem que lhes fora dada. Foi então que viram uma imensa torre que se colocava a sua frente. Era uma torre alta e larga, feita de gigantescas rochas cinzentas. Não havia portas ou janelas que se pudesse alcançar, como verificou um batedor dando a volta entorno dela. No topo, tremulava uma bandeira branca com uma cruz preta.

Bauhad ficou intrigado e, por ter sofrido uma sonora derrota no oriente, não pretendia sair dali com as mãos vazias. Uma torre tão grande e segura deveria estar guardando algo muito valioso. E Bauhad tinha razão, ali estava guardado o maior de todos os tesouros.

– Peguem o gancho! Mire naquela janela! – ordenou o Trovão a um de seus seguidores apontando para uma janela localizada a mais de 30 pés do solo.

– Senhor, não seria melhor buscar o resto de nossas tropas? – indagou um infeliz. Bauhad olhou para o soldado com ira.

– Eu dei uma ordem! Não vou repeti-la! – insistiu Bauhad lançando uma adaga em direção ao seu questionador.

Antes que o pobre pudesse se desculpar, a lâmina entrou na estreita fresta entre o elmo e o protetor peitoral de sua armadura, fazendo jorrar o sangue escuro que corria em suas veias. O astuto goblin escalador que recebeu a ordem, não perdeu mais tempo ao ver o que aconteceu a seu companheiro, girou o gancho que estava atado a uma corda e lançou-o na janela. Depois de verificar a estabilidade do equipamento o invasor iniciou sua escalada. Nem mesmo havia alcançado a metade do trajeto, foi alvejado por uma flecha certeira que o derrubou.

– Arqueiro! – gritou alguém.

Os mercenários se protegeram, pegando seus escudos. Todos se viraram para a direção da qual veio a flecha, um deles, não rápido o bastante, caiu atingido na nuca. Os olhos dos guerreiros buscavam por seu inimigo na escuridão da floresta. Podiam ouvir o galope de seu cavalo, mas não podiam vê-lo. Logo, o som de outra coisa rasgando o ar veio na direção dos invasores. Uma lança magistralmente lançada de muito longe atravessou o escudo de um dos homens, ferindo-lhe gravemente no peito. Foi quando Bauhad pôde ver a figura que os afrontava, galopando ferozmente em sua direção. Usava uma malha de metal leve sob um traje branco. Carregava consigo uma lança, uma espada e um escudo branco com uma cruz negra, idêntica à bandeira que jazia no alto da torre. Não usava elmo para proteger-lhe a cabeça, o que permitiu a Bauhad perceber que se tratava de um homem. Tinha tranças em seus cabelos claros e em sua barba. Aparentava mais de cinco décadas de vida apesar do vigor com que cavalgava.

O Trovão não se intimidou com a chegada de seu oponente e caminhou em direção a ele. Mais rápido que Bauhad foram seus guerreiros que correram para atacar o cavaleiro de branco. Um a um, o homem derrubou metade dos mercenários antes de descer do cavalo. Saltando no solo, deixou sua lança e sacou sua espada. Lutando muito bem, o homem desarmou seus oponentes um a um, atingindo-os sem tirar-lhes a vida. Quando restavam apenas dois mercenários de pé, Bauhad deu a ordem para que recuassem. Ele lutaria contra o cavaleiro. Montou novamente em sua besta feroz e investiu contra o homem com a espada em punho. O cavaleiro de branco preparou-se para o ataque inimigo, posicionando seu escudo no braço esquerdo. Bauhad aproximou-se depressa, desferindo um golpe potente contra as defesas do cavaleiro. Este, deixando-se levar pela força do golpe em seu escudo, rolou para trás e alcançou sua lança que estava no chão.

O Trovão girou sua fera de novo na direção do inimigo e partiu para uma nova investida. O cavaleiro, num movimento rápido, arremessou a lança na direção de Bauhad, atingindo-o no flanco direito. Tamanha foi a potência do golpe que o fez escorregar da cela, ficando dependurado no animal. Recobrando suas forças, posicionou-se novamente na cela. Seu ferimento sangrava muito, pois a lança havia atravessado por entre as costelas, rompendo muitos vasos. Bauhad ponderou sobre a possibilidade de vencer aquele guerreiro estando ferido e com a ajuda de apenas dois mercenários. Sua chance era pequena e a habilidade do misterioso cavaleiro era visivelmente grande. Ele poderia retornar à torre no futuro, quando estivesse mais bem preparado. Um tesouro guardado por um homem tão hábil deve ser bastante valioso.

O cavaleiro aguardava por um novo ataque, sem demonstrar medo ou ansiedade. Bauhad empunhava a espada com dificuldade por conta do ferimento, mas mesmo assim, começou a galopar em direção ao oponente. Quando estava a alguns metros do cavaleiro, o orc jogou sua espada na direção dele e passou a toda velocidade, rumo a Floresta do Alvorecer. O cavaleiro protegeu-se com seu escudo, mas nada pôde fazer para evitar a fuga de Bauhad. Virou-se então na direção dos dois mercenários que ainda estavam ali. Um deles, vendo o poderoso Trovão fugir do combate, amedrontou-se e fugiu correndo, também na direção da floresta. Quanto ao outro…

– Por Carrião, o Guardião da Torre de Albon

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