O Rei de Arkanum – Terceira Parte

Hoje publicamos a última parte do conto “O Rei de Arkanum“, que fala sobre o último grande perigo que o mundo de Morgdan passou, mas principalmente sobre a amizade que surge entre personagens tão diferentes em momentos de crise. Se você não leu alguma parte anterior, clique aqui e leia antes. Espero que gostem e, se gostarem, não esqueçam de curtir, comentar, compartilhar, tuitar ou utilize qualquer outro meio de comunicação que você conhecer. Isso ajuda bastante a divulgação de nossa Ordem! 😀

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O Rei de Arkanum

Terceira Parte

Segurando a katana-kin embainhada, com sua empunhadura de aço celestial, Kamanui liderava o reduzido grupo de volta ao local onde o demônio fora invocado. O chão ainda tinha uma marca queimada onde o monstro surgira. O altar onde a garota fora amarrada continuava no mesmo local. Mas o Rei de Arkanum não estava por ali.

— Eu disse que ele não estaria aqui nos esperando — Will do Martelo disse de forma rabugenta.

— Quieto, Will. Estamos procurando rastros — o elfo resmungou agachado, tateando o gramado. Sua perna ainda formigava, dias após descongelar.

— E desde quando minha voz o atrapalha a procurar pegadas?

— É impossível me concentrar com sua voz irritante! — Marc olhou para o anão com a cara emburrada.

O samurai sorriu. Ele achava engraçado como os dois, mesmo depois de tantos anos vivendo juntos e participando de várias aventuras, viviam discutindo.

— Ele foi naquela direção — o elfo finalmente disse.

Caminharam por algumas horas seguindo o rastro. No meio do caminho, encontraram alguns corpos secos espalhados pelo chão. Avistaram uma coluna de fumaça vinda de algum local no horizonte. Quando chegaram mais perto, encontraram um vilarejo em chamas. Atravessaram pelas ruas do vilarejo e verificaram que não existiam sobreviventes.

— Ele passou por aqui — Marc afirmou o óbvio.

Prosseguiram pelo resto do dia e por vários outros. Conforme iam avançando, os vestígios da passagem do Rei de Arkanum ficavam cada vez mais fortes: mais corpos e mais cidades destruídas. Os poucos sobreviventes que encontravam estavam apavorados e tinham relatos confusos sobre um monstro gigantesco. No décimo dia de busca, eles avistaram no horizonte a criatura que procuravam.

— Pelos sóis de Leonar! — Will disse, assustado.

O demônio estava muito maior que quando o viram pela última vez — centenas de vezes maior! Atacava um vilarejo e projetava-se muito acima das maiores casas, que batiam em seu tornozelo. A população corria desesperada pelas ruas e tentava fugir do monstro de dimensões colossais. Ele abaixou-se e cravou a mão com garras de águia no chão, capturando um grupo de uma dezena de habitantes do vilarejo. O monstro levou a mão próxima à boca e sugou uma corrente de névoa branca que fluía das pessoas. Ele abriu as garras e os corpos caíram secos e sem vida. Em seguida, destroçou uma casa e pegou alguns habitantes, repetindo o gesto de sugar suas essências.

— É impressão minha ou ele está crescendo? — Marc perguntou.

— Parece que a cada vez que ele suga a vida das pessoas, ele cresce um pouco — Kamanui respondeu.

— E eu achava que o dragão branco seria nosso maior desafio… — o anão comentou.

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Conto: O Sabor da Fúria

Antes de publicar a última parte da batalha contra o Rei de Arkanum, publicamos um conto curto que, assim como “Exterminador“, foge um pouco dos temas comuns do site, mas não totalmente. Escrito por Leo Jardim, esse conto participou do desafio Pecados Capitais do EntreContos e ficou em 7º lugar de um total de 48 participantes! 😀 Leiam e, caso gostem, não esqueçam de curtir, comentar, compartilhar e contar pro colega!

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O Sabor da Fúria

irathus

Estava com muita fome naquela noite. Para um irathus, diabrete que se alimenta de raiva, eu não deveria estar, já que encontrar gente briguenta nas grandes cidades não é nada difícil. O problema é a competição. Os humanos não nos veem, mas somos muitos. Ao redor de cada pecador, existe um enxame de pequenos seres infernais saciando-se da essência do pecado. Para nós, essa essência é como um vapor, uma fumaça. Cada pecado tem uma cor, sabor e cheiro diferentes. E cada um de nós vive de apenas um tipo.

Procurava alimento à noite, na Lapa, o mais famoso bairro boêmio do Rio. Esperava encontrar uns bêbados que começassem uma briga de uma hora pra outra. Alimentar-se de fúria é como encontrar vaga em estacionamento: você tem que rodar e rodar até que ela surja na sua frente. Se aparecer em outro lugar, alguém estará por lá para pegar na sua frente. Vida difícil a nossa, cara. Sortudos são aqueles que conseguem uma alma pecadora. No momento da morte, a alma fica perdida e pode ser reivindicada por qualquer ser infernal (ou mesmo angelical, mas esses nunca estão por perto). É ainda mais difícil e raro que achar vaga, é como ganhar na loteria ou achar alguém que nunca pecou. Aqueles que conseguem, voltam para o inferno e vivem da alma por toda a eternidade.

Sobrevoava pelos becos e vielas internos, em meio a muita confusão, sujeira e cheiro de urina, mas estava sem sorte. O pior era ver aquele monte de succubus satisfeitas de tanto comer luxúria. Isso não falta na noite. A grande maioria das pessoas naquele antro exalava pelos poros a fumaça vermelha sugada por aquelas diabretes de corpo feminino, lingerie, asas de morcego, caudas pontudas e rosto diabólico. Resolvi sair das ruelas internas e tentar a sorte no meio dos playboys e patricinhas. Ali quem fazia a festa eram os invidus e as vanitas, alimentando-se da torrente amarelo e laranja de inveja e vaidade que empesteava o ambiente ao redor daquelas criaturas fúteis.

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O Rei de Arkanum – Segunda Parte

Rapidamente publicamos a segunda e penúltima parte do conto “O Rei de Arkanum”. Se você não leu a parte anterior, clique aqui e leia antes. Espero que gostem e, logo logo publicaremos o desfecho dessa história épica. Não esqueçam de curtir, comentar, compartilhar, tuitar e, se for das antigas, contar pro colega. 😀

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O Rei de Arkanum

Segunda Parte

A trilha era tortuosa e o frio era intenso. Seguiam o pequeno guia, que era o único que conhecia essa trilha. Seria impossível chegar até ali sem ele, já que todos os lugares eram iguais: pedras, abismos, encostas, pinheiros e neve, muita neve. O guia era um pouco maior que o anão, mas ainda assim muito pequeno para um humano. Franzino, com um escasso bigode e olhos puxados como o samurai, usava uma manta de algum animal cinzento peludo sobre todo o corpo. Vez ou outra ele se adiantava mais que o grupo e os incentivava a prosseguir em um idioma que apenas o samurai conhecia.

— Ainda falta muito? — o anão perguntou. Ele também vestia uma manta grossa sobre a armadura de aço que ele costumava usar. Pingentes de gelo estavam incrustados em sua espessa barba negra, pendurados na ponta de seu nariz e nos chifres de seu elmo. No ombro, ele carregava o inseparável martelo de combate.

— Ele disse que em dois dias chegaremos — o samurai respondeu. Usava apenas uma capa de lã sobre sua armadura samurai, de placas sobrepostas, e deixava a cabeça desprotegida. Tinha um rosto liso, olhos puxados — a marca do povo tatsunês — e o cabelo negro e liso, que usava preso por uma fita azul, estava com pequenos pedaços de gelo.

— Dois dias? — o anão se assustou. — Estarei congelado se ficar aqui por mais uma hora.

O samurai se adiantou ao grupo para conversar com o guia no seu próprio idioma. Kamanui era um samurai e havia sido criado ali, em Tatsu. Estava acostumado com aquele clima e com o povo daquele reino, que vivia nos vales das Montanhas de Gelo. Mas tinha dias que não viam nenhuma cidade. Estavam tão alto nas montanhas que somente nômades viviam ali. Enquanto o samurai conversava com o guia, o anão perguntou aos demais:

— Por que mesmo viemos até aqui?

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O Rei de Arkanum – Primeira Parte

Publicamos, hoje, a primeira parte do conto O Rei de Arkanum, sobre a maior ameaça que Morgdan enfrentou nos últimos anos. É escrito por Leo Jardim, autor do Rei Caído e Guerra dos Deuses e terá apenas mais duas partes além dessa. Espero que gostem! Se gostarem, não esqueçam de curtir, compartilhar, retuitar, mandar pro colega e coisas do tipo! 😉

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O Rei de Arkanum

Primeira Parte

A escuridão era quase palpável de tão densa. A noite não tinha estrelas, nem a lua se fazia visível para gerar alguma luz. Não podiam acender a tocha para não serem vistos. O anão seguia na frente, o único que conseguia enxergar naquele breu. Sua raça vive nos subterrâneos, dentro das montanhas e por isso se adaptaram àquela situação de nenhuma visibilidade. Atrás dele, os demais seguiam em fila. No fim, o elfo, que possuía uma visão melhor que os demais, mas ainda não conseguia ver nada naquela situação extrema.

— Deve ser mágica — o elfo sussurrou. — Não é, Windham? — perguntou ao mago do grupo.

— Sim, acho que sim.

— Você acha? — O anão perguntou, irritado.

— Não posso detectar, mas não consigo dissipar — o mago respondeu, sem paciência. — Não é natural.

— Silêncio! — o clérigo interrompeu. — A presença maligna está cada vez mais perto.

Caminharam na escuridão total por mais alguns minutos até que começaram a ouvir a voz. Uma voz grave e constante recitava algum tipo de ritual em algum idioma desconhecido. Uma série de palavras sem sentido sendo jogadas com bastante ênfase ao vento.

— Onde ele está, Will? — o samurai, que estava calado até aqui, perguntou.

— Naquela direção — o anão respondeu. — A menina está deitada num altar e ele tem uma adaga na mão.

O mago disse uma palavra mágica e uma esfera flamejante surgiu em sua mão direita iluminando um pouco o ambiente. Estavam em uma grande clareira descampada, cercados por pequenos montes. O mago fez um movimento e a bola de fogo voou de sua mão e foi de encontro ao ritualista, que usava uma túnica negra e segurava a adaga na mão direita. O projétil mágico o atingiu em cheio e ele foi arremessado alguns metros para trás. Ao mesmo tempo, a escuridão mágica se dissipou, deixando-os na penumbra da noite.

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O Guardião da Torre de Albon – Episódio Quatro

Depois de mais um longo tempo sem publicar nada :( , segue o quarto episódio do conto “O Guardião da Torre de Albon“. Se você ainda não leu os episódios anteriores, clique aqui e leia antes. Agora, passado o difícil fim/início de ano, prometemos que outros logo virão. E dessa vez iremos cumprir!!!

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O Guardião da Torre de Albon

Episódio Quatro

Um novo vício

Por muitos e muitos dias, Carrião debruçou-se sobre uma imensa quantidade de livros, pergaminhos e mapas. Tentou capturar toda a riqueza das informações que se desabrochavam a sua vista, cada vez mais fascinado pela incrível tarefa de aprender. As horas de seus dias se dividiam entre a leitura, a caça e as infindáveis discussões filosóficas com Rodhes, o Sábio-Guerreiro. A leitura se tornara um vício incontrolável, apesar da dificuldade representada pelo vocabulário restrito e a pobreza de significados poéticos em sua vida. Ainda assim, lia religiosamente os livros que lhe eram fornecidos e sempre que terminava um volume, ia até o pé da Torre e assoviava. Não demorava muito, Lormeron, o Curador, arremessava um novo título. Quando chegava o entardecer, Carrião preparava a ceia. Rodhes aparecia ao anoitecer. Comiam, bebiam e discutiam longamente sobre o que o ex-mercenário havia aprendido com o último volume. Carrião se tornara mais comunicativo, mais habilidoso com as palavras e um articulador mais vigoroso. Rodhes, no entanto, sempre o questionava em pontos falhos de suas argumentações, lembrando ao seu aprendiz que ainda tinha muito a lhe ensinar. Certo dia, Carrião veio indagar Rodhes sobre a jornada ao Ocidente da qual ele havia falado alguma vez.

– Você ainda não está pronto. Na verdade, eu acho que está, mas o Senhor da Torre discorda. Sendo ele mais sábio que eu, devo concordar – respondeu Rodhes.

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Feliz Natal!

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Conto: Exterminador

Fugindo um pouco do padrão de contos do site, todos geralmente ambientados em Morgdan, nosso mundo de fantasia medieval, publicamos hoje um conto em uma ambientação totalmente nova. Ele foi escrito por Leo Jardim, autor de alguns contos aqui da Ordem (O Rei Caído e A Guerra dos Deuses), especialmente para o desafio “Filmes e Cinema” do site EntreContos. Ele não ficou muito bem posicionado, mas espero que gostem. Leiam e, caso gostem, não esqueçam de curtir, comentar e compartilhar! 😀

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Exterminador

Exterminador

Hasta la vista, baby! — o Exterminador disse, antes de explodir o seu inimigo em milhões de pequenos pedaços de mercúrio congelado.

— Pause — Guddar disse. A imagem de cinquenta polegadas projetada na parede oposta paralisou em um close no ciborgue segurando a pistola automática.

O anão levantou de sua velha poltrona cheia de remendos. Tinha, no máximo, um metro e vinte de altura, uma cabeça calva, nariz de batata e uma longa e espessa barba ruiva, presa na ponta por um anel de metal. Usava uma camiseta preta desbotada escrita “Led Zeppelin“. Mancando da perna direita, caminhou até o banheiro. Mijou demoradamente enquanto assobiava. A descarga automática acionou assim que foi lavar as mãos. Caminhou até a cozinha, abriu a geladeira vazia e pegou a última cerveja. A campainha tocou. Caminhou resmungando até a porta, pressionou um ícone com o símbolo de um olho em uma tela de cristal de diamante ao lado da porta e a imagem de um brutamonte de casaco de couro, rosto quadrado e óculos escuros passou a ser exibida na tela. Franziu o cenho. “Que porra é essa?!“, pensou.

Correu mancando até o quarto. Abriu o armário, pegou uma mochila e colocou-a nas costas. Removeu uma pilha de roupas sujas e pegou uma surrada caixa de sapatos. Abriu a caixa, pegou uma pistola Beretta e uma escopeta .12mm de cano duplo. Verificou o pente da pistola e enfiou mais alguns nos bolsos laterais da calça camuflada. Colocou a pistola na cintura, carregou a escopeta e guardou a munição extra nos bolsos. E então ouviu a porta da sala explodir.

Sentiu o cheiro da fumaça e os sprinklers começaram a jogar água por todo o apartamento. “Merda! Vai queimar a TV!“, o anão pensou. Escondeu-se atrás da porta e aguardou. Quando ouviu o brutamonte entrar no quarto, saiu de seu esconderijo e disparou a escopeta à queima-roupa. O invasor recebeu o impacto do tiro e foi arremessado para trás, mas não caiu. No local do tiro, a camiseta branca que usava por baixo do casaco estava rasgada e coberta de sangue e, abaixo da pele, o anão pôde observar partes mecânicas.

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O Guardião da Torre de Albon – Episódio Três

Depois de um longo tempo sem publicar nada, segue o terceiro episódio do conto “O Guardião da Torre de Albon“. Se você ainda não leu os episódios anteriores, clique aqui e leia antes. E preparem-se, pois temos mais alguns contos para publicar em breve.

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O Guardião da Torre de Albon

Episódio Três

As estrelas e os livros

Muitos dias se passaram desde o batismo de fogo de Carrião por Rodhes, o Sábio-Guerreiro. Durante todo este tempo, Carrião continuou vivendo próximo à Torre de Albon, num acampamento montado na floresta. Ele gastava seu tempo cumprindo tarefas que Rodhes o confiava. Cortava lenha, caçava, pescava e coletavas frutas e ervas na floresta. Não era grande coisa, mas era melhor que saquear e matar. Cumpria sozinho as tarefas e passava a maior parte do tempo pensando em tudo aquilo que tinha feito. As imagens das vilas em chamas, das crianças chorando e das pessoas aterrorizadas pulsavam constantemente em sua mente. Era uma espécie de pesadelo diurno ininterrupto. Quase sempre tinha raiva de si mesmo e descontava-a nos pedaços de madeira que cortava para usar como lenha. Cada machadada desferida contra os tocos era, na verdade, um talho profundo em seu passado cruel e inglório.

À noite, Rodhes vinha juntar-se a ele. O Sábio-Guerreiro passava o dia todo desaparecido, talvez no interior da torre, talvez galopando pela região. Carrião não podia ter certeza. Não sabia como entrar na torre. Nem mesmo sabia o que havia dentro dela.

— O que é o conhecimento? Onde e como ele está guardado? — pensava. Enquanto comiam a caça no jantar, não falavam muito. Em alguns dias Rodhes parecia mais alegre e revelava os segredos do preparo de uma lebre em um longo e orgulhoso discurso. Em outras noites, era sereno e silencioso. Carrião não falava muito. Não tinha sobre o que falar. Seu passado era a única coisa que conhecia, mas também, o que queria esquecer.

Certa noite Rodhes chegou para comer, como de costume. Estava calado e sério com o evidente cansaço em seus olhos. Acenou com a cabeça e balbuciou um cumprimento. Carrião acenou de volta. A fogueira clareava os rostos abatidos e preparava os graúdos peixes que seriam servidos logo mais. Por algum tempo, reinou o som das corujas ao longe e o estalar da lenha que queimava entre os dois.

— Acho que vou partir amanhã — disse Carrião, quebrando o até então intocado clima de funeral. — Sei que não posso continuar minha vida como mercenário, mas não sei se seria útil aqui. Vou seguir no caminho…

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O Guardião da Torre de Albon – Episódio Dois

Segue o segundo episódio do conto “O Guardião da Torre de Albon“. Se você ainda não leu o episódio anterior, clique aqui e leia antes. Se gostar, não esqueça de curtir, compartilhar, comentar e retuitar :)

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O Guardião da Torre de Albon

Episódio Dois

O Sábio-Guerreiro (parte 02)

O cavaleiro começou a se aproximar do único oponente que ainda tinha condições de combate. Todos os outros se arrastavam como podiam para sair dali e se esconder.

– Você não irá sobreviver a um combate contra mim. Por que não faz como teu senhor e foge enquanto tem pernas? – indagou o cavaleiro com uma voz tranquila. O mercenário usava armadura negra e uma espada manchada pelo sangue de suas vítimas. Seu elmo, ornamentado com longos chifres, lhe cobria toda a cabeça e escondia seu rosto.

– Quero saber pelo que lutas – respondeu ao cavaleiro.

– Pelo que luto? Ah, um homem cruel como tu jamais entenderia o que está por trás de minha missão. Ela é nobre demais. Sagrada em demasiado para que compreendas. Vá, enquanto é tempo.

O mercenário abaixou sua espada.

– Diga-me teu nome, cavaleiro.

O cavaleiro era, além de um excelente guerreiro, um homem sábio. Podia enxergar o que está por trás das palavras e o que há dentro do coração dos seres, julgando-os pela lei de Kolthar. Vendo a confusão na mente daquele mercenário, sentiu o dever de ajudá-lo.

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O Guardião da Torre de Albon – Episódio Um

Apresentamos o mais novo autor da Ordem: Marcus Carrião, com o pseudônimo “Carrião, o Guardião da Torre de Albon”. Já publicamos no blog alguns de seus textos na série “Mensagens Memoráveis da Lista de Discussão“, que valem muito à pena ler. Hoje publicamos o primeiro episódio do conto sobre seu personagem. Acredito que vão gostar!

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O Guardião da Torre de Albon

Episódio Um

O Sábio-Guerreiro (parte 01)

Sobre o solo de Morgdan, existem vários exércitos de mercenários, caçadores de tesouros e de cabeças. São formados por seres cruéis e ambiciosos, principalmente homens degenerados, orcs, goblins e elfos negros. Esses exércitos pairam como sombras, devastando cidadelas, espalhando o terror e o medo, acumulando tesouros e mortes. Um desses exércitos era liderado por Bauhad, o Trovão, um asqueroso e perverso orc que pilhou muitas aldeias e ceifou centenas de vidas.

Numa noite, uma parte do exército de Bauhad retornava de uma longa e frustrante jornada pelo oriente, indo em direção à Floresta da Alvorada. A lua brilhava como os sóis naquela noite e uma fina bruma se dispersava no ar frio noturno de Ávalon. Bauhad montava uma criatura medonha, como um grande felino desfigurado, vestindo sua armadura coberta por sujeira e sangue. De repente sua voz, rouca e alta como um trovão, rompeu o ritualístico silêncio dos guerreiros que marchavam com ele.

– Parem – gritou.

Os vinte soldados levantaram seus olhares, buscando o motivo da ordem que lhes fora dada. Foi então que viram uma imensa torre que se colocava a sua frente. Era uma torre alta e larga, feita de gigantescas rochas cinzentas. Não havia portas ou janelas que se pudesse alcançar, como verificou um batedor dando a volta entorno dela. No topo, tremulava uma bandeira branca com uma cruz preta.

Bauhad ficou intrigado e, por ter sofrido uma sonora derrota no oriente, não pretendia sair dali com as mãos vazias. Uma torre tão grande e segura deveria estar guardando algo muito valioso. E Bauhad tinha razão, ali estava guardado o maior de todos os tesouros.

– Peguem o gancho! Mire naquela janela! – ordenou o Trovão a um de seus seguidores apontando para uma janela localizada a mais de 30 pés do solo.

– Senhor, não seria melhor buscar o resto de nossas tropas? – indagou um infeliz. Bauhad olhou para o soldado com ira.

– Eu dei uma ordem! Não vou repeti-la! – insistiu Bauhad lançando uma adaga em direção ao seu questionador.

Antes que o pobre pudesse se desculpar, a lâmina entrou na estreita fresta entre o elmo e o protetor peitoral de sua armadura, fazendo jorrar o sangue escuro que corria em suas veias. O astuto goblin escalador que recebeu a ordem, não perdeu mais tempo ao ver o que aconteceu a seu companheiro, girou o gancho que estava atado a uma corda e lançou-o na janela. Depois de verificar a estabilidade do equipamento o invasor iniciou sua escalada. Nem mesmo havia alcançado a metade do trajeto, foi alvejado por uma flecha certeira que o derrubou.

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